terça-feira, 19 de maio de 2009

MULHER EM FOCO

ASSOCIAÇÃO CULTURAL NOVA FLOR
SALVADOR – BAHIA – BRASIL

MULHER EM FOCO


7 de Março de 2009


Bendito Amor Africanos e Africanas, filhos benditos do Mais Alto, Rei de Israel.


É com grande contentamento e alegria que trazemos o Relatório do Mulher em Foco 2009, 3º edição.
O evento, que acontece anualmente há três anos, teve início às 16h00min com abertura feita pela Sistah Dina Lopes.



Sistah Dina fez uma saudação, em nome de Sua Majestade Imperial JAH RASTAFARI.

A poetisa Ana Cristina recitou para o público uma poesia em homenagem às mulheres e em seguida houve a composição da mesa.

Foram convidadas para compor a mesa Sistah Daniele Mirlan, da Associação Cultural Nova Flor, que discorreu sobre A Mulher Original; Mônica Kalile, primeira superintendente de Políticas Públicas para Mulheres em Salvador e presidenta do Bloco A Mulherada que trouxe à baila a questão da Mulher Negra no Espaço de Poder e Stael Machado, professora e psicanalista que transcorreu sobre as Relações de Gênero na Sociedade Brasileira. Uma outra convidada, Nadja Santos, Militante do Movimento de Mulheres Negras, não compareceu.

A mediadora explanou a metodologia, tendo ficado estabelecido que as seminaristas teriam um tempo para discorrer suas falas e as colocações da plenária seriam feitas posteriormente.
Trabalhos iniciais feitos foi dada a palavra à primeira convidada, Sistah Daniele Mirlan.

Sistah Daniele saúda a todos com a paz e a graça de JAH RASTAFARI.
Primeiramente a convidada ressalta Março como um mês importante no calendário Rastafari, onde o aspecto feminino “rise up”, se levanta pelo seu real direito como princesas e rainhas africanas. Desmistificando falsas verdades que muitas vezes são difundidas, erroneamente.
A irmã fala sobre a busca pela essência da Mulher Original Rastafari, que segundo ela se dá a partir do momento em que nos reconhecemos como legítimos africanos e africanas, em busca da nossa ancestralidade. Algo que dificilmente acontece nos guetos e favelas, onde está a maioria dos pretos, pois nosso povo ainda não alcança esta linha de consciência, devido ao processo escravagista que não permite que isso aconteça e que praticamente os obriga a negar suas raízes.
Ela cita ainda, o fato do sistema não ter interesse na real educação, para que aqueles que não tiveram acesso à sua verdadeira história continuem consumindo e afirmando padrões europeus.
Marcus Garvey é citado como referência, já que ele nos trouxe o ideal de repatriação. Citou ainda Eva por ter sido ela a primeira mulher, pela qual todos nós descendemos e primeiro ser a pecar. Sendo este fato uma lição para as gerações futuras e não o sentimento de culpa para a mulher.
Explica ainda que o Kebra Nagast, A Glória dos Reis, livro extremamente importante para o Movimento Rastafari, relata a história do encontro do Rei Salomão com a Rainha Makeda de Sabbah e a fundação da Dinastia Salomônica, com o nascimento de Menelik I, prolongando-se em 225 gerações até Tafari Makkonen, em 1974.




Sistah Dani discorrendo sobre a Mulher Preta Original e sua ancestralidade



Discorre sobre a Coroação de Haile Selassie I, frisando um acontecimento bastante importante, que não deve ser esquecido. Uma quebra na tradição etíope, pois naquela época todos os imperadores eram coroados sem suas consortes, sendo elas coroadas Imperatrizes apenas dias depois. Com isso, Imperatriz Menen I, exemplo para InI, foi coroada e recebeu homenagem das 72 nações, assim como seu Honorável Esposo.
Memorando a vida da Honorável Imperatriz Itegue Menen, explica como ela foi uma mulher extremamente ativa, envolvida em diversas questões sociais pertinentes à educação das meninas da época, aos idosos, aos pobres e aos afetados por conflitos armados da região.
Inclusive, se referiu ao discurso que ela fez na época da invasão de Mussolini à Etiópia, conclamando todas as mulheres, das tropas amigas e das inimigas, a se perguntarem se queriam seus maridos mortos, a fim de rejeitar aquela guerra.
Sistah Daniele reiterou a necessidade da assunção de uma identidade africana na busca da mulher original o que implica, entre outras coisas, na desconstrução da estética padrão, que vem desviando as mulheres da sua naturalidade.
Fala ainda dos costumes originais de África que foram brutalmente retirados da rotina da mulher. Enquanto elas poderiam saber/aprender sobre o poder das ervas, hoje se dirigem às farmácias, ou seja, drogarias, para obter remédios.
Assim como foi introduzido no dia a dia feminino uma “correria”, seguida de conturbação, que faz com que mães saiam para trabalhar e deixem suas crianças em casa, muitas vezes sendo educadas e programadas pela televisão. Sem tempo para elas mesmas.
Sistah Daniele pede atenção e critica a corrente feminista que chegou nos últimos tempos, levando às mulheres uma idéia de independência absurda com relação aos homens. O que vem segregando muitas delas, pois nem todas se sentem representadas por esta “ideologia”.
Aproveita para dar ênfase ao fato da criação de Eva ter procedido da costela de Adão, não como forma de inferiorização. Abrindo uma reflexão, anti-sexista/machista para aqueles que defendem a idéia de que a mulher deve ser omissa e submissa.
Tal comportamento é mantido por alguns, mas deve ser quebrado por aqueles que buscam o amor por completo, pois Rastafari é unidade, Alpha & Omega, equilíbrio perfeito sobre a terra!
A irmã também fala sobre o tal “ismo”, encontrado em algumas correntes ideológicas como machismo, comunismo, solicialismo, etc. Afirma que nenhum é capaz de nos libertar das correntes deste sistema babilônico. Só JAHOVIA JAH Deus de Isarel!
Já finalizando, se despede falando sobre a proteção, o amor e respeito destinado à mulher por seus reais companheiros Rastas, que deve ser repetido por todos os homens.
Desejando a todos e todas que continuem na paz e na graça para todo o sempre. Selá!


Com isso, a mediadora fez os préstimos à Sistah Daniele e passou a palavra para a segunda convidada, Mônica Kalile.

A seminarista fez um breve agradecimento À Dina Lopes e à Associação Nova Flor por tê-la convidada para o evento e iniciou sua fala abordando as políticas públicas para as mulheres defendendo que as mulheres não devem ser apenas o alvo dessas políticas, elas devem ser também as construtoras dessas políticas. Citou o dia 25 de julho enquanto data importante do calendário de militância por ter sido consagrado o Dia da Mulher Negra Latino-americana. Recomendou à plenária o livro Mulher no Vento e Mulher no Tempo que conta a história de mulheres negras invisibilizadas e chamou atenção para essas mulheres que fazem do dia-a-dia batalhas infindáveis e não têm nenhum reconhecimento. Lembrando que a luta das mulheres negras não começou hoje, nem em tempos recentes e sim teve seu ponta pé com Makeda, com Luiza Mahim, entre outras que escreveram uma história de luta que ninguém ler nem ensina nas escolas.
Dando seguimento, falou da dificuldade de uma mulher negra se assumir negra por todas as opressões cotidianas que ela sofre, afirmando que ser negra é uma identidade que não se restringe aos aspectos físicos e estereotipados.


Mônica Kalile / Mulher Negra no espaço de poder



Trouxe dados acerca da quantidade de mulheres que ocupam os principais espaços de poder no país, desde a câmara de vereadores de Salvador até o Congresso Nacional e ainda enfatizou que essas poucas mulheres que ocupam os espaços de poder quando não são invisibilizadas, são maculadas por manobras politiqueiras e racistas, trazendo os exemplos de Benedita da Silva e Matilde Ribeiro. Mas também trouxe à plenária o seguinte questionamento: que mulheres queremos no poder? Será que é toda e qualquer mulher que nos representa?
Com isso, concluiu que a invisibilidade da mulher negra se perpetuará até que haja a desconstrução de um padrão racial “adequado” e sugere que deve ser feita a formação e valorização das lideranças comunitárias para tomar os espaços de poder. Tendo isso em vista finalizou sua fala, trazendo uma informação sobre o Decreto que instituiu o Fundo Municipal para Inclusão e Educação de Mulheres Negras, único instituto desse gênero na América Latina e foi incisiva ao dizer que ele é de toda e qualquer mulher negra da cidade de Salvador e que é necessário que nos apropriemos dele para fazer as coisas mudarem, pois, segundo ela, o decreto foi editado, mas o fundo não foi implementado porque o povo, a quem é de direito, não se apropriou.


A mediadora agradeceu a colaboração da convidada e passou a palavra para a palestrante seguinte, Stael Machado que explanou sobre o tema: Relações de Gênero na Sociedade Brasileira.



A convidada começou a falar do que vem a ser uma RELAÇÃO, explicando que o termo é sinônimo de contato, ou seja, que é preciso que haja um conhecimento mútuo para que se estabeleça uma relação. Então ela afirma que o conflito racial existe porque os negros e negras não estão acostumados a se ver um no outro justamente por não haver esse contato, esse conhecimento. Afirmou incisivamente a necessidade da desconstrução tanto do “príncipe encantado” quanto da “princesa” para que um se veja no outro e não fique esperando sempre a perfeição estereotipada.
Stael se reportou à ciranda infantil para fazer alusão à visão das relações conflituosas entre homens e mulheres que vão chegar às delegacias: “o cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada, o cravo saiu ferido e a rosa despedaçada...”. A palestrante fez uma referência ao auto-conhecimento como meio para se alcançar o auto-entendimento e o entendimento do outro. Com isso, a mulher passa de necessitada a necessária.


Stael Machado e as relações de gênero


A convidada ainda comentou a vitimização que ocorreu do homem na história de Adão e Eva já que a mulher se tornou a primeira pecadora e ainda mais crucificada por ter induzido seu companheiro a provar do fruto proibido. Ela enfatizou a necessidade de refletir sobre que homens e mulheres queremos para renovar a sociedade e se reportou à determinação dos papéis que são separados sexualmente desde o ventre (o enxoval rosa para a menina e azul para o menino; as escolhas pré-estabelecidas de profissões e funções genéricas no âmbito social, desde o menino ir ao estádio com o pai e a menina aprender cozinhar com a mãe).
Com isso, ela enfatiza a necessidade de reciprocidade nas relações e do companheirismo no sentido da efetiva participação do universo um do outro. Para tanto, ela ressalta, que é necessário repensar a educação a ser dada aos novos homens e às novas mulheres já que atualmente um é educado pra ser e o outro pra servir e a mudança desse enfoque na educação deve ser feito tanto pela escola quanto pela família.
Voltando a tratar da Bíblia, ela afirma a necessidade de discernir a espiritualidade da história já que a Bíblia é um livro de sabedoria que precisa ser devidamente interpretada. A palestrante ainda afirma que a convivência entre grupos é difícil e que, quando se trata das relações de gênero, trata-se de um conjunto de atributos positivos e negativos e que gênero por diversas vezes é confundido com o fator biológico, quando na verdade se distancia por que o fator biológico é apenas um dos tipos de relações de gênero, pois esta envolve qualquer tipo de relação.
E faz um alerta sobre o conceito que a lei traz dizendo que todos são iguais, quando na verdade, no dia a dia, na política, em casa, na rua, no colégio, nas delegacias, é que percebemos que essa igualdade é falaciosa e é dessa percepção que nascem os movimentos negro, de mulheres, GLBTT entre outras minorias sociais.
Dentro dessas lutas, nós mulheres estamos tomando os espaços que são tradicionalmente masculinos (“as coisas de homem”), mas os homens resistem em fazer o caminho oposto nunca abdicando de seus postos de varões, mas ainda assim, nós não precisamos atacar os homens e, muito menos, nos tornarmos um deles. A convidada encerra recitando uma poesia de Consuelo Lins.


Tendo sido encerrada a fala da última palestrante, a mediadora pediu desculpas pela ausência de Nadja Santos que também daria sua contribuição e abriu-se o debate para a plenária.

Primeiramente, agradecemos a JAH RASTAFARI por mais esta realização, a todos os presentes e um grande salve aos irmãos ausentes pela vibração incomensurável.


Glórias ao Rei dos Reis, JAH Deus da Criação!
Orientação e Proteção.
Paz!


Coordenação de gênero da Associação Cultural Nova Flor





Algumas fotos do evento:



A mesa formada



Ras Sidney falando sabiamente sobre o Livro da Vida



A presença do Irmão Renato



Irmão Leandro saudando HIM




Ras Tony e Ras Gabriel, Máximo Respeito.


A Platéia






Encerramento


3 comentários:

  1. Ludimila Nascimento23 de maio de 2009 17:56

    Saudações em nome de SMI Haile Selassie I, SMI Menen I!!!

    Positividade e disposição está presente.
    Irmãs Danzi e Dina, presença Omega Rasta no Brasil significante.
    Força de nossa Mãe África fortalecendo nossos caminhos.

    Estamos juntas!

    InI

    Ludi Nascimento

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  2. Bendição Sistah's

    Maximo Respeitoo!

    é muito booom ver a Omega, a mulher negra, tomando espaço e criando voz aqui no Brasil!

    E é essa voz que derrubará as barreiras machistas e hipócritas da babilonia...

    Positividade a Todos Irmãos e Irmãs

    InI

    Paz de Selah

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  3. Bendito Amor!!!!!
    Saudacoes as I-rmas e I-rmaos de todas as nacoes!
    Bendito amor esse que nos UNE e SELAH em amor real, InI, somos um, somos a pedra angular. Respeito m[aximo a todos queridos guerreiros e guerreiras filhos(as) de Emmanuel I Selassie I
    RastafarI

    Raabe Maranhao I

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* * * * * * * * Projeto Omega Nyahbinghi * * * * * * * *

O Projeto Omega Nyahbinghi visa ressaltar o aspecto Omega (feminino) do Nyahbinghi.

Nyahbinghi representa VIDA. Princípio sem fim. Representa o retorno à vivência original, a resistência a toda a opressão e dominação, a tudo que nos desvia do caminho da Verdade. A maior representação da Vida é a batida do coração. Nas celebrações Rastafaris os tambores africanos representam através de seus toques a batida do coração-Vida-Nyahbinghi.

Assim, esse projeto consiste em ressaltar e fortalecer o feminino da vivência Rastafari, em elevar e destacar a Mulher Original – Rainha Omega I!

Esse projeto se faz importante pelo grande desconhecimento existente, em especial no Brasil, do que é e de quem é a Mulher Rastafari, e a que essa expressão se refere. O que acaba passando a impressão, para muitos, de que Rastafari é um Movimento especialmente masculino, quando não machista, o que não é uma verdade.

Omega Nyahbinghi é um projeto desenvolvido por Sistas Rastafaris no Brasil.

Objetivos:

Difundir e vivenciar, onde estivermos, os ensinamentos, vida e exemplo de Sua Majestade Imperial Imperatriz Menen I, em Seu aspecto Alfa e Omega, ao lado de Sua Majestade Imperial Imperador Haile Selassie I, Respeito, Equilíbrio, Amor.

Amar a JAH acima de todas as coisas e Amar ao próximo como a nós mesmos: Eu&Eu em JAH RASTAFARI

Ações:

SUSTENTABILIDADE

EDUCAÇÃO

SAÚDE

MÚSICA



Apoiadores e parceiros do Projeto Omega Nyahbinghi:

A Voz do Morro avozdomorro.blogspot.com

Beto Era betotatoo.blogspot.com/

Classe D fotolog.com/classe_d

Cultural Rasta Brasil

Davi Amen daviamen.blogspot.com/

Editora Deriva deriva.com.br

Instituto Cultural Congo Nya

Kalimbaria kalimbaria.blogspot.com

Kalimbaria Musical kalimbariamusical.blogspot.com

Leandro Sega fotolog.com.br/sega122znrj

Marcos Costa Graffiti spraycabuloso.blogspot.com

Mario Bands mariobands.blogspot.com/

Radio Praia do Pontal http://webradiopraiadopontal.blogspot.com.br/

Ras Felipe

Ras Sansão myspace.com/rassansao

Renê Dalton renedalton.com

Revista Negarit facebook.com/pages/Revista-Negarit

Roots Ativa rootsativa.blogspot.com/

Silvana Coelho fotolog.com.br/sicaracoladona

Wallace Bidu wallacebidu.blogspot.com