terça-feira, 3 de janeiro de 2012

NYAHBINGHI

História Africana e a Ordem Nyahbinghi


Durante os primeiros anos de ocupação européia em África, Nyahbinghi era uma ordem revolucionária dedicada a expulsar os europeus de África, para preservar a integridade espiritual e cultural da forma de vida ancestral Africana. Apesar de pouco se conhecer publicamente sobre a Ordem, os irmãos e irmãs Nyahbinghi se destacavam por sua aparência Real, um comportamento com orgulho, e uma postura intransigente contra a supremacia branca em qualquer aspecto.


É importante ressaltar que, desde seu início, Nyahbinghi tem sido Pan-Africana em seu escopo, com filiais existentes conhecidas em Uganda, Nigéria, Angola, Sudão, Quênia, etc. Em1928 as forças coloniais britânicas proibiram Nyahbinghi, acusando a ordem de traição contra a coroa Inglesa. Muitos irmãos e irmãs Nyahbinghi foram encarcerados e/ou executados em cativeiro. Nesse período, o Imperador Haile Selassie I, então conhecido como Ras Tafari, regente do Império Etíope, deu à Nyahbinghi um lar permanente na Etiópia, enquanto que no resto da África colonial, a ordem passou à clandestinidade. Em 1930, pouco antes de Sua coroação Imperial, Ras Tafari tornou-se o Comandante Supremo dos Nyahbinghi e deu à ordem o lema, ‘MORTE AOS INIMIGOS DA RAÇA AFRICANA!’


Desde aquele tempo, sob o comando constante de Sua Majestade, Nyahbinghi tem evoluído até converter-se em uma encarnação militante moderna da antiga irmandade Etíope da Bahtawi (Nazareno), conhecida n

a Bíblia como a Ordem de Melquisedec (Malik Zadek), na qual as funções de sacerdote, profeta e rei,

estão unidas em uma só pessoa. É um testemunho para a mente sábia de que Sua Eterna Majestade Haile Selassie I colocou sobre Nyahbinghi o poder e a responsabilidade da libertação total e definitiva de África e da humanidade.


Nyahbinghi foi levada à Jamaica por nosso amado ancião Irmão Leonard Howell [Gong Guru Maragh], que viajou à América, Europa e África, e evocou a Nyahbinghi para se unir aos irmãos Rastas contra o racismo e a brutalidade policial. O fogo da Groundation Nyahbinghi, agora arde em todo o mundo com o lema de “Morte ao opressor branco e negro”.



O fogo Nyahbinghi está aberto a todos os Etíopes (Negros), mas a adesão requer um estrito "batismo de fogo", ao qual nem todos podem sobreviver. A congregação Nyahbinghi de fiéis é a pedra angular da fé Rastafari, mantendo o Bahtawi/pacto Nazareno e a integridade da vida eterna. Nyahbinghi continua defendendo vigorosamente e perseguindo as intenções originais de Supremacia Preta, Repatriação, Re-unificação Africana, cultura Ital(Vital/Viva) e Um Amor Preto.


Nyahbinghi está atualmente preparando o Groundation Teocrático para o governo perfeito do Eterno Cristo Haile Selassie I

(ver 2 João: 7, Revelação: 21:6)


Todos os louvores e glória devida a SMI. Nyahbinghi! Uma África Agora! Ras Tafari!


(Esse extrato foi primeiramente publicado pela Ordem Nyahbinghi para um comunicado de imprensa em relação ao Racionamento Nacional Rastafari de 1994 realizado em Nova York)


Tradução Luísa Benjamim


http://ithiopiani.webs.com/nyahbinghiexplained.htm


domingo, 6 de novembro de 2011

FASES DO CICLO FEMININO


Os Mistérios do Sangue


A primeira e mais antiga forma de medir o tempo foi pelo ciclo menstrual das mulheres. Olhando o céu e contando os dias para a chegada da menstruação ou para a confirmação da gravidez, as mulheres criaram os primeiros calendários e estabeleceram as bases do conhecimento místico e mágico da Lua. A raiz da palavra “menstruação” vem do latim mens e significa “lua” e “mês”.

Para os povos antigos, a menstruação era um dom dado às mulheres pelas Deusas para que elas pudessem criar e perpetuar a própria vida. A sincronicidade do ciclo lunar e menstrual refletia o vínculo entre a mulher e a divindade, pois ela guardava o mistério da vida em seu corpo e tinha o poder de tornar real o potencial da criação. Esses ciclos também refletiam as estações e mudanças da natureza, o ventre aparecendo como receptáculo da vida eterna, simbolizado pelo cálice, caldeirão ou Graal em vários mitos. Todos os homens nascem da mulher, seus corpos são formados do tecido de seu útero, o sangue que corre na veia do recém-nascido é o sangue de sua mãe. O poder da mulher vem através de seu sangue, por isso ela não deve temê-lo ou desprezá-lo, mas considerá-lo sagrado, imantado com o poder que liga a mulher à Fonte da Criação.

Considerada pelos povos antigos como a “Flor da Lua” ou o “néctar da Vida”, a menstruação passou a ser desprezada pelas sociedades patriarcais, que a consideravam a origem do poder maligno da mulher, a marca do demônio, o castigo dado a Eva por ter transgredido as regras e obediência e submissão. Enquanto que nas sociedades matrifocais as sacerdotisas ofereciam seu sangue menstrual à Deusa e faziam suas profecias durante os estados de extrema sensibilidade psíquica da fase menstrual, a Inquisição atribuía esse poder oracular a prova da ligação da mulher com o Diabo, punindo e perseguindo as mulheres “videntes”. E assim originaram-se os tabus, as proibições, as crendices e as superstições referente ao sangue menstrual. “Tabu” é uma palavra de origem polinésia , cujo significado – “sagrado” – refere-se a tudo aquilo que por ser imbuído de poder especial chamado mana não podia ser tocado ou usado por pessoas que não estivessem preparadas para lidar com essa energia, o que poderia lhes ser prejudicial. O sangue menstrual ou pós-partum era impregnado de mana, sendo por isso considerado sagrado, ou seja tabu.

Com o passar do tempo, o significado da palavra tabu foi deturpado para proibido, tendo uma conotação negativa e até mesmo perigosa, principalmente para homens que temiam esse poder misterioso da mulher. Esse temor vinha do fato de que o homem, quando sangrava, era por ferimento ou doença, com consequências quase sempre fatais.

Infelizmente, milênios de supremacia e domínio patriarcal despojaram as mulheres de seu poder inato e negaram-lhe até mesmo seu valor como criadoras e nutridoras da própria vida. Reduzidas a mera reprodutoras, fornecedoras de prazer ou de mão-de-obra barata, as mulheres foram consideradas incompetentes, incapazes, desprovidas de qualquer valor e até mesmo de uma alma!

Não mais o respeito e a veneração pelo poder sagrado de seu sangue, mas a vergonha, a repulsa, o silêncio sobre “aqueles dias”, as acusações e explicações científicas dos estados depressivos, explosivos ou da mudança de humor como algo mórbido, que deveria ser tratado com remédios ou indiferença.

Em vez dos antigos rituais de renovação e purificação nas Cabanas ou Tendas da Lua, onde as mulheres se isolavam para recuperar sua energia e abrir seus canais psíquicos para o intercâmbio com o mundo espiritual, a mulher moderna deveria disfarçar, esforçando-se para continuar com suas atribuições cotidianas, perdendo o contato e sintonia com seu corpo e a energia da Lua. O resultado é tensão pré-menstrual, as cólicas, o ciclo desordenado, o desconhecimento dos “Ritos de Passagem” e dos “Mistérios da Mulher”. As meninas passam por sua menarca sem nenhuma preparação ou celebração, aprendendo, muitas vezes, as verdades sobre seus corpos de forma dolorosa ou prejudicial. Ao chegar na menopausa, a mulher sente-se marginalizada, desprezada, envelhecida, sem receber apoio ou ensinamento de como atravessar e aproveitar essa nova fase plena de possibilidades e de sabedoria.


Pelo ressurgimento do Sagrado Feminino, as mulheres estão reaprendendo o verdadeiro valor sagrado de seus corpos, de suas mentes e de seus corações. Restabelecem-se os rituais de passagem, celebrando as fases de transição na vida da mulher: a menarca – primeira menstruação – , a maturidade sexual, a gestação, o parto e a menopausa.

É imperativo à mulher contemporânea recuperar a sacralidade de sua biologia. Para isso, ela deve lembrar seus antigos conhecimentos, compreender os verdadeiros mitos e arquétipos de sua natureza lunar, reconhecer o poder mágico de seu ventre e sua conexão com a Deusa.

A sociedade atual, altamente industrializada e intelectualizada, é carente de Ritos de Passagem e Celebrações, preocupando-se apenas com a produtividade, o consumismo e o modismo.

É vital para a mulher moderna suprir essa lacuna lendo e reaprendendo as antigas tradições, usando sua intuição e sabedoria para adaptá-las à sua realidade moderna, celebrando os Ritos de Passagem.

Esse ato de “acordar” e “relembrar” reconecta a mulher à sua essência verdadeira, dando-lhe novos meios para viver de forma mais plena, harmônica, mágica e feliz.

(Extraído do Anuário da Grande Mãe – Mirella Faur. - Contribuição de Sistah Livia Gramacho )





Recolhimento Sagrado Feminino


Observando os ciclos de nosso corpo, entramos em sintonia com o corpo maior e organismo vivo e pulsante que é a Mãe Terra. Nós, mulheres, carregamos em nosso corpo todas as Luas, todos os ciclos, o poder do renascimento e da morte. Aprendemos com nossas ancestrais que temos nosso tempo de contemplação interior quando, como a Lua Nova, nos recolhemos em busca de nossos sonhos e sentimentos mais profundos. As emoções, o corpo, a natureza são alterados conforme a Lua.

Nas tradições antigas, o Tempo da Lua era o momento em que a mulher não estava apta a conceber, era um período de descanço, onde se recolhiam de seus afazeres cotidianos para poderem se renovar. "É o tempo sagrado da mulher", o período menstrual, conforme nos conta Jamie Sams, "durante o qual ela é honrada como sendo a Mãe da Energia Criativa". O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo assim como a água está para a Terra. A mulher, através dos tempos, é o símbolo da abundância, fertilidade e nutrição. Ela é a tecelã, é a sonhadora.

Nas tradições nativas norte-americanas há as "Tendas Negras", ou "Tendas da Lua", momento em que as mulheres da tribo recolhem-se em seu período menstrual. É o momento do recolhimento sagrado de comtemplação onde honram os dons recebidos, compartem visões, sonhos, sentimentos, conectam-se com suas ancestrais e sábias da tribo. São elas que sonham por toda a tribo, devido ao poder visionário despertado nesse período. O negro é a cor relacionada à mulher na Roda da Cura. Também são recebidas nas tendas as meninas em seu primeiro ciclo menstrual para que conheçam o significado de ser mulher. Esse recolhimento não é observado somente entre as nativas norte-americanas, mas também entre várias outras culturas.

Diversos ritos de passagem marcam a vida de meninas nativas no seu primeiro ciclo menstrual. Entre os Juruna, quando a Lua Nova aponta no céu, é momento de as meninas se recolherem para suas casas. As meninas kanamari, do Amazonas, também ficam reclusas enquanto dura seu primeiro sangramento, sendo alimentadas somente pela mãe. Assim ocorrem com as meninas tukúna que nesse período de reclusão aprendem os afazeres e a essência do que é ser uma mulher adulta. Observa-se, em alguns casos, como parte do rito, cortar o cabelo e pintar o corpo de negro. São ritos de honra à mulher, e não o afastamento das mesmas pela impureza, como foi mal-interpretado por muitas outras culturas, principalmente a nossa ocidental extremamente influenciada pelos valores cristãos.

Nossos corpos mudam nesse período, fluem nossas emoções e estamos mais abertas a compartilhar com outras mulheres, como uma conexão fraternal. Ao observarmos nossos ciclos em relação à Lua, veremos que a maioria das mulheres que não adotam métodos artificiais de contracepção e que fluem integradas ao ciclo lunar, têm seu Tempo de Lua durante a Lua Nova. É importante observarmos como fluímos com a energia da Lua e seus ciclos, e em que período do ciclo lunar menstruamos. A menstruação é um chamado do nosso corpo ao recolhimento, assim como a Lua Nova é um período de introspecção, propício ao retiro e à reflexão. A Lua Cheia proporciona expansão e, se nossos corpos estão em sintonia com as energias naturais, é o período em que estaremos férteis.

Quantas mulheres atualmente deixaram de observar os ciclos do próprio corpo? Quantas deixaram de conectar-se com as forças da natureza, deixaram de lado a riqueza desse período de introspecção, recolhimento e contemplação de si mesmas? No nosso Tempo de Lua sonhamos mais, estamos mais abertas à sabedoria que carregamos de nossas ancestrais. Aproveite esse período para conhecer e explorar seu interior, agradecendo os dons e habilidades que possui. Compartilhe com outras mulheres esses momentos sagrados de respeito e fraternidade. Ouse sonhar e exercer seu lado visionária. Note que ao estar em conexão com todas as mulheres e com a própria Mãe Terra, muitos sintomas tidos como incômodos vão desaparecendo. Muitos destes sintomas são a rejeição desse período. Com a competição resultante dos valores da sociedade moderna, muitas de nós esqueceram de ouvir a si mesmas, de sentir a necessidade de seus próprios corpos e corações.

Para finalizar, segue um trecho sobre a Tenda da Lua, de Jamie Sams, falando-nos sobre a importância desse ciclo de religação com a Terra e a Lua:


"O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido em nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados aos órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua. As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos há séculos. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade".


(texto de Tatiana Menkaiká - 02/02/2010, extraído de:

terramistica.com.br/index.php?add=Artigos&file=article&sid=24




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

RASTAFARI - VIDA E HISTÓRIA

Saudações em Nome de Sua Majestade Imperial Haile I Selassie I e Sua Majestade Imperial Imperatriz Menen I, JAH RASTAFARI, que vive e reina por toda a Eternidade do topo do Monte Sião.

Rastafari é um modo de vida com raízes na Etiópia. É a maneira original de se viver, a verdadeira essência humana. Em amárico, idioma etíope, Rastafari significa “cabeça da criação”, também podendo significar “homem”, ou primeiro Homem, no sentido de espécie humana.



PRINCÍPIO


No princípio, como vemos nas escrituras antigas, quando JAH criou o homem e a mulher, ambos viviam em harmonia com toda a criação (leia mais em "Os Livros de Melquisedeque"), pois eram parte integrante dela e tinham responsabilidade (e não domínio) sobre ela. O Édem era habitado por uma vida sem morte, todos os seres se alimentavam somente de plantas, todos em harmonia. (Ver Gênesis 1:29)

O Homem e a Mulher Rastafari vivem dessa forma, como no princípio de tudo, na perfeição que JAH RASTAFARI nos criou para viver, em equilíbrio, Amor e respeito, em unidade com toda a Sua Criação Divina. Aqueles que aceitam viver como Rastafaris estão na construção desse Novo Tempo, dessa Nova Era, que é o restabelecimento da antiga Lei, a Primeira Lei, a Lei do Amor e da Vida, que voltará a reinar sobre a Terra.

Essa reconstrução da vivência do Bem, da forma correta e primeira de se viver se desenrola em alguns princípios e condutas, que para os Rastafaris não são vistos como regras, mas como uma forma natural de ser, da fazer o bem, o certo, viver alegremente na Lei de Deus, a Lei do Amor.

Como vemos em Gênesis 1:29, a prática da alimentação de plantas vem desde o princípio do mundo. E é algo muito natural para os Rastafaris. As plantas não são só utilizadas na forma de alimentação, mas para todos os fins, pois JAH criou as plantas para tudo que precisarmos. Elas são feitas da mesma matéria que nossos corpos, por isso têm muita influência sobre nós e são de muita ajuda. Os Rastafaris usam as plantas para comer, para fazer remédios, cosméticos, para fazer instrumentos, casas, roupas, defumações, enfim todo o necessário.

Se prioriza dessa forma a alimentação natural (leia mais em "O Evangelho Essênio da Paz)", integral, orgânica, livre de elementos químicos e industrializados . No mesmo sentido, se prefere a utilização de materiais biodegradáveis para a construção de moradias, confecção de roupas e todo o mais. Busca-se uma vida sustentável em todos os aspectos, reciclando os dejetos secos e orgânicos, restringido ao mínimo ou zero o lixo dispensado.

Toda a Criação de JAH é vista como perfeita e é respeitada não como algo a ser contemplado, mas como parte de nós, nossa continuação, nós mesmos EU&EU.



EU&EU


Em verdade, a expressão EU&EU sintetiza muito bem toda a forma de Vida Rastafari. “Eu&Eu” expressa primeiramente duas noções: igualdade e unidade.

Essa expressão basicamente quer dizer que somos todos partes de uma mesma criação, assim como somos também parte do Criador, estamos todos em igualdade, e também em unidade, pois estamos todos unidos em JAH, na vibração, força e sintonia da Criação. Isso inclui não somente o Homem, mas toda a criação! Animais, plantas, cristais, solo, mar, ar, visível, invisível, passado, presente, futuro. “Eu&Eu” expressa de uma forma simples, mas abrangente o respeito, a unidade, e a revelação de que após o advindo de Emanuel o Cristo, JAH habita em nós, e somos parte dele, por isso também somos JAH. É a concepção e a prática dos principais mandamentos “Ama a JAH acima de todas as coisas” e “Ama ao próximo como a ti mesmo”.

Assim podemos dizer que ser um Rastafari é buscar viver ao máximo os ensinamentos de Emanuel, Deus Conosco, o Messias, Jesus Cristo. Nos tornarmos nós mesmos Cristos Vivos, Homens e Mulheres Virtuosos, cheios de Bondade e de Amor, Divindades em Carne, a perfeita Imagem e Semelhança de JAH RASTAFARI.



VOTO NAZIREU


É dessa forma que quando se decide viver Rastafari se realiza o voto Nazireu. O homem e a mulher que realizam esse voto decidem não mais fazer parte do mundo, não compartilham mais da ilusão, mas decidem viver sua vida para JAH, na Sua Lei, e não na lei dos homens. Após esse voto, não se corta mais os cabelos, e nem a barba, no caso dos homens.

Nos Homens e Mulheres Rastafaris podemos ver claramente o voto Nazireu em seus longos cabelos naturais popularmente chamados de dreadlocks. Geralmente os Rastafaris cobrem o seu voto, em especial as mulheres, como forma de se preservar, e se proteger de energias negativas do mundo, pois os cabelos em sua forma natural são como antenas que atraem energias, que acabam ficando neles acumuladas se não tivermos os devidos cuidados. Por isso realizar esse voto, deixando seus cabelos crescerem livremente de forma natural, sem mais cortar, pentear ou utilizar produtos químicos, deve ser realizado com muita consciência e responsabilidade para nossa própria proteção.



ÁFRICA E REPATRIAÇÃO


O mundo, do qual o Nazireu se afasta, é hoje representado pela forma de vida e costumes ocidentais, baseado no consumo, trabalho explorado, grandes cidades, mídias manipuladas, doenças e domínio de drogas farmacêuticas artificiais, alimentos industrializados e com substâncias que alteram nossa genética, enfim, tudo que nos distanciam da nossa essência, e é chamado pelos Rastafaris de babilônia, em uma relação com as escrituras bíblicas. Tudo aquilo que foi degenerado, manipulado, alterado, degredado pelo homem sob influências maléficas é chamado de babilônia. O egoísmo, a maldade, a opressão, a raiva, o medo, o desrespeito, a guerra, o racismo, o colonialismo, o machismo, o sexismo e toda a corrupção da imagem da mulher e da família, tudo isso é a babilônia.

O caminho pra sair da babilônia é a Repatriação. O retorno definitivo às origens, África-Etiópia. Sendo Rastafari a forma de vida original, e a África a terra Mãe onde toda a vida começou, a África é a referência maior para todos os Rastafaris. Tudo que se precisa saber, aprender e praticar vem de Mamãe África, é o que dá força, saúde e firmeza. Estamos falando da essência africana, não de uma África colonizada e dominada por multinacionais estrangeiras.

Durante todo o processo de colonização da África, os imperialistas não conseguiram eliminar a essência da África que ainda vive no continente, e em seus filhos espalhados pelo mundo.



ETIÓPIA E A GLÓRIA DOS REIS


A Etiópia, única Nação Africana que jamais foi colonizada pelo europeu, possui uma linhagem real de mais de quatro mil anos. Nenhum império europeu é tão antigo, ou teve condições de ter um poder centralizado por um período nem sequer aproximado.

Esse Império Etíope possui sua linhagem na raiz de Davi, Jessé, Judá, Jacó-Israel, Isaque, Abraão e Adão, através do filho resultado do relacionamento da Rainha Makeda de Etiópia, ou Rainha de Sabá, com o Rei Salomão de Israel. Essa história é contada na bíblia em 2Crônicas:9 e 1Reis:10, mas é melhor detalhada em um livro sagrado etíope intitulado Kebra Nagast que significa a ‘Glória dos Reis’. O intento desse livro é mostrar a linhagem dos Reis etíopes como tendo origem nos patriarcas bíblicos, assim como a origem da fé Cristã.

Nesse livro, é contato que a Rainha Makeda saiu de Etiópia e foi até Jerusalém em busca da sabedoria do Rei Salomão. Chegando lá, Salomão revelou à Rainha que sua sabedoria vinha da fé e temor no grande e único Deus, O Deus de Israel, JEOVAH, JAH. A Rainha então converteu-se e pôs sua fé em JAH, e sua terra e povo converter-se-iam com ela. Eles tiveram um filho, Menelik, que nasceu em Etiópia sem que o Rei Salomão soubesse. Ele seria o futuro Rei de Etiópia e reinaria sob o comando de JAH. Porém, depois de crescido, Menelik teve o desejo de conhecer seu pai.

Quando o pai e o filho se encontraram, Salomão tentou convencer Menelik a ficar em Jerusalém e herdar seu reinado. Mas o filho negou o pedido ao seu pai, pois havia prometido à sua mãe e ao seu povo que retornaria para Etiópia. Salomão enviou então junto com seu filho à Etiópia o filho mais velho de cada oficial e empregado do governo de Israel, em uma simbologia de transferência do reinado para a terra sobre a qual seu filho Reinaria. Menelik levou consigo também a “Arca da Aliança”. A Arca da Aliança foi construída por Moises como símbolo do pacto feito entre JAH e Seu povo (ver Êxodos 25:10-23). Onde a Arca estiver, está o Governo de JAH na terra. Nesse sentido, foi transferido tanto o governo dos Homens como o governo de Deus de Jerusalém, Israel, para a Etiópia. Ainda Hoje a Arca da Aliança está na Etiópia, em uma Igreja chamada Santa Maria de Sião, em Axum.

É da descendência de Menelik, filho de Salomão e Makeda, que descendem diretamente o Imperador Haile Selassie e a Imperatriz Menen, coroados na Etiópia em 1930. Mas para entender o significado dessa coroação temos que pensar um pouco em como estava o mundo nesse período.



GARVEY E A LUTA AFRICANA


Faziam poucas décadas que havia sido legalmente extinguida na América a escravização de Negros e Negras. Durante séculos, o ocidente se beneficiou da mão de obra escrava de africanos seqüestrados de suas terras. Foram brutalmente tratados e tiveram suas histórias e culturas ocultadas, e sua dignidade como homens e mulheres violadas e roubadas. Se até hoje Negros e Negras, em sua grande maioria, crescem sem ter uma referência de suas origens, podemos imaginar como era nas primeiras décadas do século 20. E temos que lembrar também que, nesse período, a maioria do território africano estava colonizada por países europeus.

Mas em todo o local onde se escravizou os povos africanos, sem exceção, houve resistência, elas se deram de diversas formas, tanto a nível cultural como político, religioso. Podemos citar inúmeras formas de resistência de Negros e Negras pelo mundo, e contar muitas histórias, mas sem dúvida um dos principais líderes de destaque nessa luta de resistência é o Honorável Profeta Marcus Mosiah Garvey.

Apesar de ter nascido na Jamaica, Garvey representa a luta de todos os Negros e Negras que foram seqüestrados e espalhados na diáspora pelo mundo. Ele dizia: “Não importa aonde você nasceu se é um homem ou uma mulher Negros, então você é um Africano.

Marcus Mosiah Garvey devolveu aos Negros e Negras do mundo sua identidade, sua história, lhes deu o direito de perceberem a si próprios como homens e mulheres dignos, honrados, com passado, presente e futuro, dotados de capacidade de fazer o que quisessem. Ele afirmava que para saber para onde se vai é preciso saber quem é, e de onde veio.

O processo da escravização empenhou-se em retirar dos africanos e seus descendentes tudo o que tinham de valor. Através do racismo, que se perpetuou mesmo após a suposta abolição, fez e faz com que Negros e Negras perdessem sua autoestima, e se achassem inferiores aos brancos, assim os impossibilitando de acessar os locais e posições de destaque na sociedade.

Dessa forma Garvey dizia que não bastava para o Negro acender dentro da sociedade do branco, pois assim ele sempre ocuparia uma posição inferior, sempre seria tratado como menor, sempre teria que trabalhar o dobro para receber menos que a metade, sem ter seu valor reconhecido. Ele dizia que os Negros deveriam formar suas próprias empresas, suas próprias escolas, que deveriam se organizar entre si, e mostrar aos outros Negros o seu valor, sua origem e seu potencial. Foi nesse ideal que Garvey e seus companheiros formaram a maior organização Negra já existente na história, a UNIA (Associação Universal para o Progresso do Negro). A história da UNIA e de Garvey mudou o rumo da história Negra em todo mundo. A principal sede da UNIA ficava em Nova Iorque, mas tinha filais em vários outros países, e também influenciou outras organizações de outros países, como a Frente Negra no Brasil. O movimento de Garvey influenciou até mesmo, e muito, os movimentos de libertação dos países africanos. (Leia mais em "Marcus Mosiah Garvey - A Estrela Preta")

Nos anos de 1920, Garvey profetizou na Jamaica a seguinte frase: “Olhem para África! Lá um Rei Negro será coroado. E então a redenção dos Africanos estará próxima”.



HAILE SELASSIE E MENEN


Quando Marcus Mosiah Garvey proferiu a frase acima, reinava em Etiópia Imperatriz Zauditu, Filha do Imperador Menelik II. Seu sobrinho, Ras Tafari Makonnen, era regente da província de Harar, casado com Woyzero Menen. Todos nobres africanos descendentes de Menelik I, filho de Makeda e Salomão, da Raiz de Davi, do Tronco de Jessé.

A Etiópia era então o único local que não havia sido colonizado por nenhum país europeu, graças à vitoriosa resistência dos exércitos etíopes.

Ras Tafari, ainda no governo de Imperatriz Zauditu, trabalhou muito pelo desenvolvimento e avanço da Etiópia, colocando-a na Liga das Nações, e acabando com a escravidão no país. Ras Tafari já era reconhecido como um grande líder africano, quando, após a passagem de Zauditu, Ele assume o Trono ao lado de sua esposa, no ano de 1930.

No dia de sua coroação, Ras Tafari quebrou com um protocolo ao dizer que sua esposa seria coroada com Ele ao mesmo tempo. Antes a rainha era coroada sem cerimônias três dias após o rei. Imperatriz Menen foi coroada instantes depois de Tafari e sentou ao seu lado no trono.

Esse ato inspira aos seguidores de Ras Tafari, e mostra o local em que o Homem e a Mulher devem assumir tanto em suas vidas conjugais, como no governo da Nação e da Vida, lado a lado, de uma só vez, sempre juntos, em harmonia, equilíbrio e respeito, com igual importância. Alpha e Omega (masculino e feminino). Assim como Ras Tafari representa O exemplo de Homem a ser seguido, e sua coroação mostrou aos homens pretos como eles são dignos de sentar no trono de uma Nação Livre, Imperatriz Menen é O exemplo de Mulher e representa a Mulher Preta-Africana Livre, Rainha das rainhas, que governa sua própria nação com dignidade e soberania (Leia mais em "Especial Mulher Rastafari"). Diante do Rei e da Rainha Africanos, se curvaram 72 nações de diferentes continentes, reconhecendo a soberania de Seu Governo.

Na coroação, Tafari assumiu Seu Nome de batismo dado pela Igreja Cristã ortodoxa Etíope, Haile Selassie, que significa O Poder da Santíssima Trindade.

Na coroação, o então Imperador, e conseqüentemente a Imperatriz, lado a lado, assumiam não só a cabeça do poder político, mas também religioso de Etiópia e receberam da Igreja Ortodoxa Cristã os títulos: Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá, Luz do Mundo, Eleito de Deus (ver Revelação/Apocalipse 5:5 e 19: 11-16)

A profecia se cumpria, um Rei e uma Rainha pretos assumiam o trono sobre a África livre. A Etiópia era referência de liberdade para todos os africanos e africanas em África e em diáspora, e seus Imperadores também assim seriam.

Haile Selassie trabalhou incessantemente pela libertação dos países africanos do colonialismo. Proporcionou o retorno dos africanos em diáspora que estavam preparados para retornarem para Casa. Mediou conflitos internos para a criação da OUA, Organização União Africana. Sua língua, qual espada afiada, denunciava as injustiças, ações equivocadas e valores distorcidos que imperavam no mundo, que não estavam de acordo com os reais valores cristãos.

Muitos Caribenhos que então se identificaram com Haile Selassie e viram nele o cumprimento da profecia, nas primeiras décadas do século 20, passaram a se denominar como seguidores de Haile Selassie, posteriormente sendo identificados como ‘Rastafaris’.

Para todos os Rastafaris, Ras Tafari Haile Selassie é O CABEÇA, O Caminho e O exemplo absoluto a ser seguido, assim como sua Esposa Imperatriz Menen, sendo Ele o Rei Alpha, e Ela a Rainha Omega (Ver Revelações/Apocalipse 1:8). São representações divinas.

Para o Homem e a Mulher Rastafari, aceitar Sua Majestade Imperial O Imperador Haile Selassie e Sua Majestade Imperial A Imperatriz Menen em suas vidas, como seus redentores, significa realizar em sua própria existência, independente do local onde vivem, os ideais de REPATRIAÇÃO, e trabalhar de modo a proporcionar que todo o africano em casa ou em diáspora possa alcançar esse entendimento.

Ao ser coroado lado a lado com Sua Rainha, Selassie mostrou ao Seu povo que o lugar da Mulher e do Homem pretos não eram nos porões, senzalas, bastidores, etc, mas sim sentados sobre o trono de uma nação livre! Isso é algo de extrema importância para todos os pretos e pretas do mundo! Haile Selassie, em seus discursos, sempre apontou para a importância da igualdade e respeito entre raças e credos:


“Acima de tudo, a Etiópia é dedicada ao princípio da igualdade para todos os homens, não importando as diferenças de raça, cor ou credo. Como nós não praticamos ou permitimos qualquer tipo de discriminação dentro de nossa nação, nós nos oporemos a ela aonde quer que for encontrada. Como nós garantimos a cada um o direito de venerar a quem quer que seja, nós denunciamos a política que coloca homem contra homem nos assuntos religiosos. Como nós estendemos a mão da irmandade universal para todos, sem nos importarmos com raça ou cor, nós condenamos qualquer ordem política ou social que distinga as crianças de Deus na maior parte de Seu território.”


Haile Selassie também anunciou uma nova raça, do Novo Tempo, que cumpre as profecias e as expectativas dos agora Rastafaris:


“Nós devemos olhar primeiro para o Todo Poderoso Deus, que criou o homem acima dos outros animais e o presenteou com a inteligência e a razão. Nós devemos por nossa fé Nele, para que Ele não nos deixe e nem permita que destruamos a humanidade que Ele criou à Sua imagem. Nós devemos olhar para dentro de nós mesmos, nas profundezas de nossas almas. Nós devemos nos tornar algo que jamais fomos e para o qual nossa educação, experiência e ambiente nos prepararam. Nós temos que nos tornar maiores do que jamais fomos. Mais corajosos, maiores em espírito e mais largos no olhar. Nós devemos nos tornar membros de uma nova raça, superando o preconceito e obedecendo não as nações, mas os nossos companheiros homens na comunidade humana.”



NYAHBINGHI


Um dos momentos mais importantes para os Rastafaris são as reuniões, ou cerimônias Nyahbinghi. Todas as Casas, mansões e famílias Rastafaris realizam essas celebrações, seja somente nas datas importantes do calendário Rastafari, ou aos sábados, que de acordo com a Lei de JAH, é o dia guardado para o descanso e as coisas de Deus.

Nyahbinghi é uma palavra africana que quer dizer morte ao todo o tipo de opressão. É o nome de uma Ordem de guerreiros africanos que lutaram contra a colonização da África. Com a intensificação de invasões de europeus na África, a Ordem Nyahbinghi acabou por ter que se exilar na Etiópia, onde foi recebida e abrigada pelo Imperador Haile Selassie. O Imperador Etíope passou a ser o comandante da Ordem Nyahbinghi, a qual se tornou praticamente seu exército-guarda pessoal. Juntos lutavam pela libertação da África e o direito de todos os africanos. Por essa razão que uma das principais casas Rastafaris na Jamaica utiliza esse nome.

É conhecido também que os guerreiros da ordem Nyahbinghi também eram Nazireus, dessa forma, suas batalhas eram em nome de JAH, para a predominância da Lei de Deus.

Nas cerimônias Nyahbinghi, há leituras bíblicas, fogueira, cantos e outros elementos, mas o papel principal e de destaque estão nos tambores. Os tambores africanos reproduzem a batida do coração, com dois toques consecutivos. Essa batida Nyahbinghi reconecta à essência, à pulsação original da terra, no seio de Mãe África. É um momento espiritual profundo de contato com as raízes Africanas, e JAH RASTAFARI. É o momento também que os guerreiros Rastafaris se apresentam ao seu general Haile Selassie para a batalha espiritual contra toda a opressão, pela queda da babilônia e o estabelecimento da Nova Jerusalém, a Sagrada Sião, neste Novo Tempo, nessa Nova Era.


O Homem e a Mulher Rastafaris são aqueles que vivem e praticam o bem. Acreditam no Amor como primeira Lei e Lei Universal de Deus, JAH RASTAFARI, Nosso Criador. Realizam em suas vidas o retorno às raízes Africanas, a forma de vida natural e essencial. Estão na batalha do Bem pela vitória do Amor, para a construção e edificação da morada do Altíssimo no Novo Tempo, pelo triunfo de JAH Rastafari contra toda a maldade, sob o comando do Imperador Haile Selassie, o Rei Alpha, General de exército e cabeça do governo. E sob o Exemplo de Imperatriz Menen, a Rainha Omega, Maria Negra, a representação de todo o Amor incondicional, a força da Terra e da Lua, Mãe da Criação. Vivendo e praticando os ensinamentos do Cristo Vivo, Jesus, preservados pela Igreja Ortodoxa Cristã Etíope.


Um Amor, Um Deus, Um Objetivo, Um Destino

Haile I Selassie I

JAH RASTAFARI

Texto de Sista Luísa Benjamim

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ANO NOVO E CALENDÁRIO ETÍOPE

MELKAM ADDIS AMET LEHULACHIM
(Feliz Ano Novo para todos nós)


Tempo e datas em Ithiopia


Enkutatash ou Ano Novo na Ithiopia (Etiópia) é comemorado em 11 de setembro, segundo o calendário ocidental ou gregoriano. A Ithiopia ainda segue o calendário Juliano Ortodoxo, que consiste de 12 meses de 30 dias e um mês 13, Pagume, de cinco ou seis dias, dependendo se é ou não um ano bissexto. O calendário Ithiopie é de sete anos e oito meses de atraso do calendário gregoriano, assim setembro de 2010 é Meskerem de 2003 em Ithiopia.

A maneira Ithiope de medir o tempo também é diferente do Ocidente. O relógio começa a funcionar na hora 6:00 e vai até 18:00. Portanto 8h em tempo ocidental seria 2h no tempo Ithiope.

Pela Ithiopia estar perto do equador, o sol se levanta em torno de 00:30 no tempo Ithiope e se põe em torno de 12:45, à noite (6:45 no equivalente ocidental) durante todo o ano. Ithiopia está 3 horas à frente do GMT (Tempo Médio de Greenwich).


Os anos passam num ciclo de quatro anos com os nomes dos Evangelhos, com o ano de João ou Yohannes sendo o ano bissexto.

Meskerem: 11 de setembro
Tikimt: 11 de outubro
Hidar: 10 de novembro
Tahsas: 10 de dezembro
Tir: 09 de janeiro
Yakatit: 08 de fevereiro
Maggabit: 10 março
Miyazya: 09 de abril
Ginbot: 09 de maio
Sene: 08 de junho
Hamle: 08 de julho
Nehasa: 7 de agosto
Pagume: 07 de setembro


Enkutatash - Ano Novo

Enkutatash é um festival importante na vida dos Ithiopes. Após três meses de chuvas intensas o sol sai, criando um ambiente claro, belo e doce. Os campos das terras altas se transformam em ouro, quando as margaridas Meskal florescem. Há flores perfumadas por toda a parte, e há abundância de alimentos

Quando Makeda, a Rainha de Sabá, voltou à Ithiopia depois de sua famosa visita ao Rei Salomão, seus chefes a receberam com congratulações dando-lhe Enku ou "jóias".
Enkutatash, que significa "presente de jóias", tem sido celebrado desde então na primavera. Meskerem é visto como um mês de transição entre o ano velho para o novo. É um momento para expressar as esperanças e sonhos para o futuro.


Celebrações Ortodoxa do Enkutatash


A maior celebração religiosa está na igreja do século 14 Yohannes Kostete na cidade de Gaynt na região de Gondar. Por três dias os sons dos salmos, sermões, orações e hinos podem ser ouvidos como procissões coloridas de boas-vindas ao Ano Novo. Há uma grande festa mais perto Addis Abeba, a capital, na Igreja Ragual na montanha Entoto.

Costumes Enkutatash


Na véspera de Ano Novo, tochas de folhas secas e madeiras agrupados sob a forma de altos e grossos paus também são incendiados em frente às casas acompanhado do canto de jovens e velhos. Logo no início da manhã, todos vão à igreja vestindo roupas tradicionais da Etiópia. Após a Igreja, há uma refeição familiar de Injera (pão achatado) e Wat (cozido).

Grupos de crianças carregam e apresentam uma erva especial chamada de Engicha, misturada com Adey Abeba (perfumadas flores silvestres), com elas vão de casa em casa cantando a tradicional canção hoy Abebaye (Oh Minha Flor!). As meninas vão cantando músicas de Ano Novo e os meninos dão imagens que desenharam, em troca de presentes, tais como dabbo (pão caseiro), e moedas. Depois de receber os presente, as crianças abençoam o doador, dizendo: "Que o Deus Todo-Poderoso abençoe com longa vida!".

Na tarde da noite, os membros da família ascendem suas tochas e levatam-nas no ar, enquanto outros correm em volta da casa e tocam o chão com suas tochas, acompanhados por Ululation*. Nesta cerimônia se espanta os anos velhos, com seus espíritos velhos, e se dá boas-vindas ao novo.

No início da manhã no dia de Ano Novo, as famílias vão ao rio para tomar banho. Acredita-se que a água de Ano Novo é água benta que limpa os espíritos do mal que pudessem estar na comunidade no ano que passou. Com um corpo limpo e espírito
novo, as pessoas colocam a roupa nova e preparam uma festa.

À noite, as famílias convidam uns aos outros para almoçar ou jantar, e bebem tella, uma cerveja tradicional etíope, e uma cerimônia de café se segue. Enquanto os mais velhos discutem as suas esperanças para o Ano Novo, as crianças vão gastar as moedas que ganharam.

No final da cerimônia, anciãos abençoam as crianças e os outros membros da família, o que marca o fim da celebração do Ano Novo etíope.



Em tempos mais recentes também se tornou usual para os moradores da cidade, enviarem uns aos outros cartões de cumprimentos de Ano Novo, em vez dos mais tradicionais buques de flores.


Tradução livre de Sistah Luísa de:
http://www.rastaites.com/Ethiopia/newyear.htm e Sistren Ites vlume4, Issue 09-10, Setembro,Outubro de 2007.

* Ululation é um longo e oscilante som de alta-frequência que se assemelha o uivo de um cão ou lobo. É produzido através da emissão de uma voz de alta frequência acompanhada de um rápido movimento da língua, da esquerda para a direita repetidamente na boca, produzindo um som agudo. Este som é comumente utilizado em cerimônias de adoração da Igreja Ortodoxa Etíope.

* * * * * * * * Projeto Omega Nyahbinghi * * * * * * * *

O Projeto Omega Nyahbinghi visa ressaltar o aspecto Omega (feminino) do Nyahbinghi.

Nyahbinghi representa VIDA. Princípio sem fim. Representa o retorno à vivência original, a resistência a toda a opressão e dominação, a tudo que nos desvia do caminho da Verdade. A maior representação da Vida é a batida do coração. Nas celebrações Rastafaris os tambores africanos representam através de seus toques a batida do coração-Vida-Nyahbinghi.

Assim, esse projeto consiste em ressaltar e fortalecer o feminino da vivência Rastafari, em elevar e destacar a Mulher Original – Rainha Omega I!

Esse projeto se faz importante pelo grande desconhecimento existente, em especial no Brasil, do que é e de quem é a Mulher Rastafari, e a que essa expressão se refere. O que acaba passando a impressão, para muitos, de que Rastafari é um Movimento especialmente masculino, quando não machista, o que não é uma verdade.

Omega Nyahbinghi é um projeto desenvolvido por Sistas Rastafaris no Brasil.

Objetivos:

Difundir e vivenciar, onde estivermos, os ensinamentos, vida e exemplo de Sua Majestade Imperial Imperatriz Menen I, em Seu aspecto Alfa e Omega, ao lado de Sua Majestade Imperial Imperador Haile Selassie I, Respeito, Equilíbrio, Amor.

Amar a JAH acima de todas as coisas e Amar ao próximo como a nós mesmos: Eu&Eu em JAH RASTAFARI

Ações:

SUSTENTABILIDADE

EDUCAÇÃO

SAÚDE

MÚSICA



Apoiadores e parceiros do Projeto Omega Nyahbinghi:

A Voz do Morro avozdomorro.blogspot.com

Beto Era betotatoo.blogspot.com/

Classe D fotolog.com/classe_d

Cultural Rasta Brasil

Davi Amen daviamen.blogspot.com/

Editora Deriva deriva.com.br

Instituto Cultural Congo Nya

Kalimbaria kalimbaria.blogspot.com

Kalimbaria Musical kalimbariamusical.blogspot.com

Leandro Sega fotolog.com.br/sega122znrj

Marcos Costa Graffiti spraycabuloso.blogspot.com

Mario Bands mariobands.blogspot.com/

Radio Praia do Pontal http://webradiopraiadopontal.blogspot.com.br/

Ras Felipe

Ras Sansão myspace.com/rassansao

Renê Dalton renedalton.com

Revista Negarit facebook.com/pages/Revista-Negarit

Roots Ativa rootsativa.blogspot.com/

Silvana Coelho fotolog.com.br/sicaracoladona

Wallace Bidu wallacebidu.blogspot.com